Vigor e Reckitt discutem o que é o “novo normal” para a indústria

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A pandemia do Covid-19 está trazendo muitos desafios para a indústria e o varejo, mas também muitas oportunidades. Para saber como os maiores gestores do Brasil estão inovando durante a crise, a SA Varejo está realizando webinars semanais e gratuitos com grandes players do mercado.

A quarta edição do encontro foi realizada no dia 30 de abril e teve como tema “Qual será o Novo Normal no Pós-Crise”. Participaram:

  • Luis Gennari, Presidente da Vigor Alimentos;
  • Heloisa Glad, Vice-Presidente de Vendas Brasil Reckitt Benckiser;
  • Sérgio Alvim, CEO da SA Varejo;
  • Amanda Vasconcelos, Vice-Presidente da ABASE e Diretora das redes Hiperideal e Mix Ideal;
  • Paulo Cesar Lopes, Presidente da ACATS e do Conselho de Administração da Rede Top. 

A conversa, que teve 1 hora e 30 minutos de duração, foi bastante enriquecedora e você pode assistí-la na íntegra pelo canal da SA Varejo no YouTube. Aqui, neste texto, você confere os melhores insights desse bate-papo incrível.

Confira também: 

Em outros países, indicadores já apontam queda forte do PIB neste 1º trimestre. Qual a perspectiva do varejo e da indústria para a economia brasileira?

O governo estadunidense já divulgou os dados do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre do ano: a maior economia do mundo ficou 4,8% menor. No continente europeu, a queda foi de 3,5% no trimestre. Já em Hong Kong, o PIB encolheu 8,9% em relação ao ano passado, uma queda recorde.

Nos cálculos mais otimistas, a previsão para o PIB brasileiro em 2020 é de queda forte, em torno de 3,5%. Contudo, nos cenários mais pessimistas, esse tombo pode chegar a 11% – para se ter uma noção, somando as quedas de 2015 e 2016, que representam a maior crise econômica brasileira até hoje, o PIB encolheu um total de 6,8%. Uma queda acima de 10%, em um só ano, seria então catastrófica.

“Hoje a nossa maior preocupação é com a economia, principalmente a questão do desemprego. Lá na frente, isso vai repercutir de maneira muito forte em nossas operações. Qual vai ser o comportamento dos nossos consumidores? As pessoas já estão mais sensíveis ao preço”, afirmou o presidente da Rede Top Supermercados, Paulo César Lopes.

A Reckitt também já está de olho nas rupturas que a crise econômica vai impor no bolso dos brasileiros e realizou um diagnóstico semelhante ao de Lopes sobre o comportamento dos consumidores daqui pra frente. “Com o Brasil entrando em um cenário de recessão, que é o esperado agora, a gente vai voltar para aquela situação em que as pessoas vão buscar produtos mais acessíveis. Então essa é mais uma preocupação”.

“As pessoas não têm oportunidade de errar. O dinheiro está curto e ela precisa acertar na escolha do produto. O que ela faz? Ela vai na marca em que mais confia, aquela com um nível de confiança grande.”

Luis Gennari, CEO da Vigor Alimentos

Para a Vigor, as marcas de maior qualidade e que conquistaram a confiança do consumidor devem sair na frente neste novo cenário. Mesmo aquelas que são mais caras: “as pessoas não têm oportunidade de errar. O dinheiro está curto e ela precisa acertar na escolha do produto. O que ela faz? Ela vai na marca em que mais confia, aquela com um nível de confiança grande.”

O coronavírus afetou o ritmo da indústria de vocês? Houve fechamento de fábricas ou redução no volume da produção?

Em muitos lugares do mundo, a pandemia teve um impacto grande nas cadeias logísticas, atingindo em especial as indústrias. O risco, com isso, é de que ocorra uma ruptura de estoque, levando ao desabastecimento na ponta de produtos fundamentais, como os alimentícios, de limpeza e higiene.

Além de prejudicar bastante a vida das pessoas, que dependem desses produtos, o desmonte da cadeia logística seria letal para a indústria e o varejo, com efeitos graves sobre a economia como um todo também. 

É por isso que a missão principal para a Reckitt Benckiser, neste momento, é tornar disponíveis e acessíveis os seus produtos de limpeza e higienização, essenciais para o combate ao coronavírus.

“Nossas fábricas, a nível global, não pararam. A nossa fábrica no Brasil aumentou o ritmo da produção. Estamos fazendo o possível para garantir a oferta dos produtos de higienização no mercado. As pessoas precisam ter acesso a isso.”

Heloisa Glad, Diretora de Vendas no Brasil da Reckitt 

Manter o varejo abastecido pode ser, inclusive, fundamental para a indústria não perder sua freguesia. É o que apontou o CEO da Vigor, Luis Gennari, com base em pesquisas recentes feitas durante o coronavírus. “Está ocorrendo uma grande troca de marcas e o principal motivo de uma marca perder consumidores é a disponibilidade, a ruptura de estoque. Isso é dado de pesquisa.”

Contudo, nem todas as indústrias vão conseguir manter suas operações durante a pandemia. Sidney Manzaro, diretor-executivo da BRF, já havia afirmado no terceiro webinar da SA Varejo que fábricas com casos de Covid-19 poderão ser fechadas – principalmente aquelas em cidades pequenas, com menos de 50 mil habitantes.

É isso que levou Paulo Cesar Lopes, da Associação Catarinense de Supermercados, a afirmar que não é possível saber, ainda, se há risco ou não de desabastecimento. “Tenho sido bastante demandado pela imprensa para saber se a indústria vai conseguir manter o abastecimento. Isso preocupa muito o shopper, a gente também está preocupado com isso, mas tudo ainda está muito imprevisível”.

O e-commerce já era uma tendência forte, mas cresceu ainda mais com o isolamento social. Isso é um problema para o varejo de loja física?

Com o consumidor ficando mais em casa, muitos varejos se viram forçados a adaptar suas operações de e-commerce em poucos dias. Para o Hiperideal, o e-commerce representava apenas 1% das vendas no mês. Agora, com a pandemia, esse número cresceu 9 vezes, chegando próximo de 10% do faturamento total da rede.

Mas, no caso, o crescimento do e-commerce viria a detrimento das lojas físicas?

“Quando você entrega uma boa experiência em um canal, você atrai o seu cliente para um outro canal, também. Por isso o online e o offline se complementam.”

Amanda Vasconcelos, Vice-Presidente da ABASE e Diretora das redes Hiperideal e Mix Ideal

Na visão da Diretora das redes Hiperideal e Mix Ideal, Amanda Vasconcelos não existe um conflito entre os dois canais. O e-commerce poderá se voltar para as compras mais práticas do dia a dia, enquanto a loja física seria o lugar de uma experiência diferenciada e de compras mais prazerosas.

“O supermercado tem que ser uma experiência de compras diferenciada. Uma pessoa não precisa sair de um dia cansativo de trabalho e passar no mercado para comprar papel higiênico, feijão, coisas que não dão prazer. Pode pegar o celular, comprar rapidamente e retirar na loja, com tudo pronto esperando, ou agendar para receber em casa. Acredito que as pessoas vão se acostumar com isso e vão gostar dessa possibilidade”, completou.

A parceria varejo-indústria tem crescido muito desde o início da pandemia. Para vocês, como ela pode se fortalecer ainda mais daqui pra frente?

A relação entre varejo e indústria sempre foi essencial para ambos os setores. Entretanto, com a enxurrada de novos desafios trazidos pelo coronavírus, essa parceria precisa amadurecer de forma rápida e profunda.

“A indústria está estudando muito o shopper e tem experiência de outros países, mas é muito importante que esse conhecimento chegue até a ponta, principalmente para os pequenos varejistas. Eles precisam sobreviver depois dessa pandemia.”

Paulo Cesar Lopes, Presidente da ACATS e do Conselho de Administração da Rede Top

Por sua vez, Gennari, da Vigor Alimentos, acredita que a indústria não deve mais enviar vendedores para a porta do supermercado: “é preciso um parceiro, que ajude o varejo a resolver os seus problemas desse momento. O que eu tenho cobrado do time comercial e trade marketing da Vigor é que estejam à frente da leitura de cenários e apresentem soluções para os supermercados”. 

Sérgio Alvim, CEO da SA Varejo, complementa: “Não é um vendedor, é um especialista que traz informação útil para o varejo e que contribua para chegar a uma solução”.

Por fim, um outro ponto que virou consenso no webinar foi a necessidade de agilizar a experiência dos consumidores nos supermercados. “O cliente quer uma compra muito mais curta. Quer ser objetivo, chegar na gôndola, olhar o que precisa, pegar e ir embora. Mas isso requer um trabalho conjunto, não é algo que a gente faz sozinho como indústria. Para isso, a parceria com o varejo é muito importante”, afirmou Heloisa Glad, da Reckitt. 

Com isso, encerramos aqui o nosso resumo do quarto webinar da SA Varejo. Se você quiser ficar por dentro de tudo que aconteceu na discussão, basta assistir o vídeo abaixo.

Curtiu o texto? Então você vai amar nosso nossa série especial sobre os impactos do coronavírus na indústria e no e-commerce. Confira!

Publicitário pela UFMG, baiano com orgulho e apaixonado por cinema. Atualmente é graduando de economia e adora um bom papo sobre política.

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