Beleza, Perfumaria e Saúde no e-commerce: insights para 2021

Bookmark(0)

Um divisor de águas: assim podemos definir o ano de 2020 para o comércio eletrônico nacional, que faturou mais de R$126 milhões e teve crescimento de 68% em relação ao ano anterior, segundo dados da Neotrust.

O destaque vai principalmente para os produtos de Beleza, Perfumaria e Saúde que tiveram um aumento de 14,4% no número de pedidos e faturou 5,7% a mais que em 2019. 

Mas será que o segmento continuará a crescer em 2021? Esse foi o tema principal do webinar realizado pela Neotrust, com participação da Lett. 

Participaram do webinar:

  • Davi Song, CEO da Lett.
  • Thaís Vicente, Líder de Estratégias e Insights da Lett.
  • Fabrício Dantas, CEO da Neotrust.
  • Adriana Dupita, economista-chefe da Bloomberg.
  • Elaine Melino, Head Comercial da Neotrust.
  • Viviane Vilela, CCO do E-commerce Brasil.

Neste post, você confere um resumo com as principais dicas extraídas da conversa.

Por que o universo das compras online está com um cenário tão favorável?

É notável que a expansão do e-commerce vinha acontecendo de maneira gradativa antes do coronavírus. Inclusive, os produtos de Saúde, Higiene e Beleza já se destacavam no mercado. A categoria cresceu 112% entre 2018 e 2019, representando um terço das vendas online, segundo dados do E-commerce Quality Index (EQI).

Em 2020, esse crescimento foi acelerado e os players do mercado acreditam que o cenário continuará favorável. 

“O e-commerce precisou se adaptar. O varejo precisou manter o seu site e estoque atualizados, garantir e acelerar a entrega. Acredito que esse mercado vai se manter em crescimento”, ressalta Fabrício Dantas, CEO da Neotrust.

Aliás, a categoria de Beleza, Perfumaria e Saúde foi uma das poucas que teve uma boa performance na disponibilidade de estoque dos produtos. De acordo com o EQI, o setor fechou 2020 com um aumento de 11,6% na disponibilidade de estoque. 

Para Davi Song, CEO da Lett, dois fatores continuarão impulsionando o e-commerce em 2021. O primeiro é que as pessoas foram forçadas a mudar o seu estilo de compras e isso desbloqueou vários entraves que ainda poderiam existir como impedimento para mover para o digital. 

“Agora as pessoas experimentaram uma nova realidade e um novo canal. Então, muito provavelmente esses novos 20 milhões de consumidores que entraram nesse mercado de e-commerce vão continuar buscando mais praticidade, mais conveniência e até mesmo influenciar outras pessoas”.

Davi Song, CEO da Lett

O segundo ponto é em relação às marcas. Muitas tinham o plano de atuar no mercado online daqui a 3 ou 5 anos, mas precisaram antecipar essa migração. Na visão de Davi, foi um período de muito teste e agora é necessário avaliar o que deu certo para manter o foco e a consistência.

O CEO da Lett reforça que o varejo está se profissionalizando ainda mais e investindo em melhorar a experiência de compra do shopper. 

“Vejo uma colaboração muito maior entre indústrias, varejistas e outros players do mercado para conseguir entregar essa jornada de compras mais fluida e completa para o consumidor”. 

Davi Song, CEO da Lett

Qual a importância do segmento de Beleza, Perfumaria e Saúde para o e-commerce?

Sendo a segunda categoria em volume de pedidos (43,4 milhões) e com faturamento de 7,2 bilhões em 2020, o setor tem papel relevante no comércio eletrônico nacional. Esses números significam alta recorrência e alta frequência de compra no segmento. Mas o que pode ter levado a esse aumento no consumo durante a pandemia?

“Arrisco dizer que essa categoria de Beleza, Perfumaria e Saúde teve um dos maiores impactos com a pandemia. Vimos salões de beleza fechando e as pessoas tiveram que montar o seu próprio salão de beleza em casa”, diz Elaine Melino, Head Comercial da Neotrust.

Essa visão é reforçada por Thaís Vicente, especialista no segmento de Beleza e Perfumaria da Lett. 

“No lockdown, o varejo de perfumaria entrou como item não essencial, por isso foi fechado. Nesse sentido, o consumo e a jornada do shopper foi transformada. Então, para o profissional de beleza ou para a pessoa que gosta de se cuidar em casa, a única fonte de compra se tornou o e-commerce”. 

Thaís Vicente,  Líder de Estratégias e Insights da Lett

Os itens mais vendidos no segmento foram:

  • Produtos para cabelo: 32,6%
  • Perfumaria: 16,8%
  • Remédios: 13,6%
  • Barbearia: 8,2%
  • Maquiagem: 5,5%

As projeções também são positivas para o mercado em 2021, com estimativa de crescimento de 23% e faturamento de R$8,1 bilhões, segundo dados da Neotrust. A tendência é que o setor continue performando como um dos mais importantes no varejo nacional. 

“Vejo essa categoria com ótimas oportunidades não só para marcas mais procuradas, mas também para marcas novas. Tem dinheiro na mesa para todas as marcas e para todos os perfis de bolso que passaram a comprar no online”.

Viviane Vilela, CCO do E-commerce Brasil. 

Quais os principais desafios do segmento de Beleza no e-commerce?

Um dos maiores obstáculos no e-commerce de Beleza, Perfumaria e Saúde é tornar a venda mais humanizada no ambiente online. Curiosamente, é por meio da tecnologia que é possível quebrar a falta de contato entre cliente e vendedor. 

“As famosas beauty techs têm desenvolvido ferramentas de interação desse shopper através do e-commerce. A marca de maquiagem Maybelline, da L’oréal, lançou uma plataforma online de realidade aumentada (Virtual Try It On), no qual é possível testar a cor da base para encontrar o produto ideal para a sua pele”, explica Thaís. 

Exemplo da ferramenta Try It On, da Maybelline. Na parte esquerda da foto, vemos o rosto da modelo sem maquiagem e na parte direita da imagem conseguimos ver a simulação de como os itens da marca ficariam na pele da modelo. 

A especialista também cita como a inteligência artificial está sendo utilizada para ajudar os consumidores na jornada de compra. Segundo Thaís, já existe uma tecnologia desenvolvida para dermatologistas, na qual o cliente consegue fotografar o seu rosto e receber na hora a informação do produto ideal para tratar a pele. 

“Estamos falando de categoria com ticket médio alto e o consumidor brasileiro não pode errar. Ainda é um desafio, mas muitas indústrias usam a tecnologia para desenvolver e facilitar a jornada do consumidor”, frisa a profissional.

Como aumentar o market share e as vendas nesse segmento de e-commerce?

Certamente, esse é outro desafio para quem atua no mercado. Existem duas formas de ganhar market share: crescer mais que a categoria ou executar melhor do que seu concorrente.

Para Thaís Vicente, o segundo caminho é o mais viável. Para isso, deve-se trabalhar dois pilares: execução e gestão de conteúdo.

No primeiro pilar, a especialista destaca a questão da disponibilidade de estoque e o preço médio. 

“É preciso garantir que aquele produto esteja cadastrado no varejo. Não adianta estar na página do produto e não conseguir comprar porque o item está indisponível. É preciso também garantir que o preço esteja bem executado e dentro dos parâmetros estipulados pela indústria”.

Thaís Vicente, Líder de Estratégia e Insights da Lett

Já o pilar de conteúdo, segundo Thaís, é a aposta certa para chegar ao consumidor final. “Após fazer a execução é hora de verificar como a sua marca se expõe no varejo: checar imagem, descrição, título e tirar todas as dúvidas para o consumidor na hora, assim ele terá uma experiência completa”, reforça Thaís Vicente. 

Ambos os pilares trazem resultados positivos para o e-commerce. Uma pesquisa realizada pela Lett e Neotrust mostrou que marcas que oferecem conteúdos online em detalhes faturam mais no e-commerce

Qual a importância do marketing de influência para o setor?

Produtos de beleza são os itens mais comprados por indicação de influenciadores digitais, sejam eles de massa ou de nicho. Então, o marketing de influência vem ganhando destaque no segmento.

Na visão de Thaís Vicente, as marcas hoje estão construindo nos investimentos de mídia uma combinação entre esses dois tipos de influenciadores, dando ênfase ao que possui menor número de seguidores porque “ele consegue entregar o detalhe e tem uma relação de troca com o consumidor”.

Se em 2020 o segmento de Beleza, Perfumaria e Saúde se destacou, em 2021 ele tem chances de decolar ainda mais. 

“O e-commerce não é a moda e nem a bola da vez. Ele é o varejo e é mais que só um canal de vendas. É um ponto de contato que permite todas as marcas a interagirem em vários momentos da jornada de compra do consumidor. Esse tipo de oportunidade que o digital trouxe não vai retroceder e é preciso passar por uma evolução de experiência na próxima etapa do digital”.

Viviane Vilela, CCO do E-commerce Brasil. 

Para assistir o webinar completo, é só clicar abaixo: 

Confira a qualidade do e-commerce de Saúde, Higiene e Beleza

E-commerce Quality Index (EQI) é o único estudo no Brasil que analisa a qualidade do e-commerce por meio das informações das páginas de produtos. 

Desde 2018, a Lett vem acompanhando várias categorias do mercado e notou que o segmento de Beleza, Perfumaria e Saúde é destaque no comércio eletrônico nacional.

Visando compartilhar dados mais aprofundados com os varejistas e fabricantes, a Lett criou um EQI específico para o setor. Na pesquisa realizada entre julho de 2019 e fevereiro de 2020 foram avaliados:

  • 38 e-commerces do segmento;
  • mais de 700 mil páginas de produtos;
  • 300 marcas que se destacam no mercado.

Descubra todos os insights baixando o EQI de Saúde, Higiene e Beleza! 

Escrever é o que me move, por isso escolhi ser jornalista. Sempre levo um livro na bolsa, gosto de acompanhar tudo sobre tecnologia e troco fácil uma balada pela Netflix.

0 0 vote
Article Rating
Seguir
Notificação de
guest
0 Comentários
Inline Feedbacks
View all comments

EQI 2020: a qualidade do e-commerce sob a perspectiva do consumidor final.